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COLUNISTA

Coluna Fernando Calmon nº1.424 — 20/10/2026

Salão de Paris recupera interesse e
antecipa novidades que vêm ao Brasil

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Salões internacionais de automóveis sofreram com o esvaziamento de interesse do público. Cenário foi agravado pela pandemia de Covid-19 em 2020 e o avanço dos vídeos pela internet que antecipavam todos os pormenores dos lançamentos.
Também cresceu a concorrência de exposições de tecnologia, a exemplo da CES nos EUA. O salão parisiense adaptou-se e até diminuiu de onze para sete os dias de exposição, além de demonstrar que híbridos e elétricos vão conviver por tempo indeterminado.
Entre as mais de 50 novidades, incluídos modelos conceituais, estão aquelas que serão exportadas para o Brasil ou aqui
fabricadas. Destaques começam com os Fiat Grizzly e Grizzly Fastback (visual pode inspirar o futuro modelo brasileiro) com seus sistemas de iluminação diferenciados. Já a picape conceitual Multiplay é avançada demais frente à Strada. Outras atrações do Grupo Stellantis: releitura futurista do Citroën 2 CV, agora elétrico; Peugeot RCZ Vision, também elétrico, com proposta de
sistema de direção eletrônica sem ligação mecânica e o volante de formato retangular; Jeep anunciou seis novos modelos até 2030, a começar pelo Recon na Europa já em janeiro de 2027.
Volkswagen atraiu atenções com elétrico ID.Tiguan, que terá três versões e será lançado na Europa logo no início do ano que vem. Não há ainda uma data de exportação para o Brasil. Ford mostrou a Ranger MS-RT Champion Edition com suspensão rebaixada e versões V-6 diesel e híbrida plugável específicas para a Europa. Hyundai apresentou o SUV de entrada Bayon e o novo Tucson, um híbrido pleno com potência e toque combinados de 245 cv e 38,5 kgf·m. Sua importação ainda em estudos pela filial brasileira.
Vinte marcas chinesas estiveram em Paris, um terço do total no Salão. Algumas desconhecidas no Ocidente, a exemplo da Li Auto e BAW. Destaques foram para o inédito Dolphin G híbrido PHEV (híbrido plugável) a ser exportado para cá; Leapmotor B03 que se chamará aqui B03x e suporte direto da Stellantis; Omoda 4, híbrido pleno que chegará aqui no segundo semestre de 2027.
Carro mais barato a partir de janeiro é incerto

De fato, o Governo Federal está atrasado em decidir como os automóveis serão taxados a partir de janeiro de 2027.

Segundo Cassio Pagliarini, da Bright Consulting, que apesar no nome em inglês é uma empresa 100% brasileira, “a Lei Complementar nº 214/2025 determina que as alíquotas do Imposto Seletivo sobre veículos sejam estabelecidas em lei ordinária e graduadas segundo critérios que incluem potência, eficiência energética, emissões, reciclabilidade e etapas fabris realizadas no País. Mas a lei ainda não define as alíquotas que cada veículo pagará. Por isso, não é possível transportar os percentuais da tabela atual do IPI Verde para uma projeção definitiva do Imposto Seletivo em 2027”.
O problema envolve o resultado da eleição presidencial do próximo domingo. Ambos os candidatos continuam a discutir, após o primeiro debate televisivo. Sem saber quem será eleito fica difícil prever o rumo dos acontecimentos. O que se tem certeza: a
existência de um vácuo tributário e o imposto seletivo não poderá ser cobrado a partir de 1º de janeiro próximo. Se isso será repassado total ou parcialmente às tabelas de preços públicos sugeridos, dependerá de cada fabricante.
Um fato é que a indústria automobilística no Brasil, desde 1956, mantém-se entre os setores historicamente “aquinhoados” com impostos muito elevados. Entre os principais países produtores de automóveis e comerciais leves a taxação é a maior do  mundo. E como há relativamente poucas empresas a fiscalizar e quase todas multinacionais, a arrecadação fica garantida e
historicamente elevada.

Nissan admite, se necessário, produzir aqui CKD e SKD
Ricardo Gondo deixou a presidência da Renault no Brasil em 2025 e há dois meses assumiu o mesmo cargo na Nissan. Em
encontro com jornalistas, na sexta-feira passada, admitiu que há discussões internas sobre a possibilidade de produzir aqui a partir de kits importados completamente desmontados (CKD) ou semidesmontados (SKD). No entanto, Kait e Kicks continuarão a ser produzidos na fábrica de Resende (RJ).
Gondo observou um cenário que fez questão de destacar: “A produção brasileira de veículos leves este ano cresceu 9,7% até setembro e aexpectativa é fechar o ano com alta de 7,6%. Mas se tirar CKD/SKD, a expansão será de apenas 2%.” Ele não deu
exemplos, mas se sabe que, pelo menos por enquanto, as marcas chinesas concentram-se neste tipo de produção. Isto implica quase nenhuma participação de compras no parque brasileiro de autopeças.
O panorama pode mudar a partir de 2027. Pelo menos é o esperado, conforme promessas das marcas BYD e GWM que estão mais comprometidas com produção local. Geely já está acertada com a Renault. Deve-se notar, entretanto, que Sindipeças e fabricantes de pneus ainda aguardam as encomendas começarem em bom ritmo.

Ele confirmou para o primeiro trimestre de 2027 o lançamento no Brasil do X-Trail e-Power, um SUV médio importado.
Trata-se de um modelo elétrico de alcance estendido. Terá tração 4x4 e dois motores que somados entregam 216 cv e 33,7 kgf·m. Contará com um motor a combustão de 1,5 L turbo apenas para acionar um gerador e recarregar a bateria de 1,85 kW⋅h.
É opção racional por dispensar carregadores externos. Basta abastecer com gasolina e seguir em frente, o que dá tranquilidade ao motorista de viajar sem se sujeitar a um planejamento prévio.
Sem indicar prazos, porém confirmando estudos, Gondo apontou o mercado brasileiro em expansão para diferentes estágios,no campo de híbridos e elétricos, com crescimento mais rápido do que a Nissan imaginava. “Isso exige decisões que não podem demorar”, afirmou. Entretanto, não disse de que forma isso ocorrerá, mesmo porque outros fabricantes vêm se movimentando na mesma direção.
Teste: Panamera Turbo S E-Hybrid acelera como nunca
Versatilidade e alto desempenho são qualidades frequentemente conflitantes. Em geral, uma destas características anula a outra u, quando bem acertada pelo fabricante, pode haver alguma possibilidade de equilíbrio. Mas, no caso desta versão do Panamera, não pairam dúvidas de que este objetivo foi alcançado. Trata-se de um sedã com a tampa do porta-malas do tipo liftback (com vidro do vigia integrado) e aerofólio funcional. Porta-malas de 421 L de fato não é tão grande, apesar do estepe
inflável de 20 pol., enquanto as rodas são de 21 pol. e belo desenho. Interior proporciona ótimo espaço para quatro ocupantes.
E o sistema de som conta com 21 alto-falantes e nada menos de 1.455 watts.
Dimensões (mm): comprimento, 5.054; entre-eixos, 2.950; largura, 1.937 (2.165 com espelhos); altura, 1.423. Volume (L):
tanque, 80. Massa: 2.365 kg. Híbrido pleno. Motor V-8 turbo, gasolina, 4 L: potência 599 cv; torque 81,6 kgf·m. Motor
elétrico: 190 cv; torque 45,9 kgf·m; Potência combinada: 782 cv; Torque combinado, 102 kgf·m; Consumo (Inmetro km/L,cidade/estrada): 6,9/8,6. Alcance (Inmetro km, cidade/estrada): 552/688. Tração integral. Câmbio automatizado, oito marchas.Aceleração 0 a 100 km/h (s): 2,9. 
Logo no primeiro contato o modelo da Porsche surpreende ao se selecionar o modo conforto. Lida bem com asfalto irregular e buracos. Além disso, evita raspar em desníveis típicos de lombadas e entradas/saídas de garagem. Basta acionar o sistema de levantamento da suspensão dianteira memorizável via GPS, que passa a atuar automaticamente. Contudo, não chega a superar todo tipo de desnível, em particular lombadas fora das especificações. Conta com auto-hold que aciona o freio de estacionamento no próprio pedal de freio e o libera ao voltar a acelerar.
No modo Sport muda completamente: as suspensões deixam-no mais próximos do solo e apesar de quase 2,5 t de massa as
retomadas e acelerações colam as costas dos ocupantes nos encostos. Opcionais podem elevar o preço final em até R$ 90.000,custando os freios com discos de fibras cerâmicas por volta de R$ 60.000.
Preço: R$ 1.870.000

Coluna Fernando Calmon nº 1.421 — 02/10/2026 nº 1.421 — 29/9/2026

Desafios e impactos de mais
etanol na gasolina brasileira

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Possível aumento do teor de etanol anidro na gasolina para até 35% (E35) ampliou o debate entre engenharia automobilística,política energética e mercado consumidor. Desde julho último, foi autorizada uma fase de testes de seis meses, prorrogável por
mais seis, de 30% para 32% e já provocou reações negativas por parte da indústria automobilística. Argumentação do Governo Federal foi de minimizar efeitos da guerra do Oriente Médio, embora o Brasil importe apenas cerca de 15% da gasolina consumida.
Não houve análise aprofundada de reflexos da nova mistura na frota circulante a exemplo de dificuldade de partida nos dias frios de modelos mais antigos, das motocicletas de menor cilindrada e também dos importados que em geral aceitam E10.
Neste último caso há alguma flexibilidade, mas não em um teor mais de três vezes superior. O aumento para 35% exige readequações nos sistemas de alimentação e gerenciamento do motor.
Há risco de ressecamento de juntas e mangueiras, além de formação de depósitos nos injetores. Outros pontos críticos são partida a frio e dirigibilidade na fase de aquecimento. Anfavea alerta para a necessidade de testes de durabilidade e homologação rigorosos, antes da adoção irrestrita de E35.
Para a frota de veículos flex (80% do total), o impacto é compensado pela capacidade da ECU (Unidade de Comando Eletrônico) de adaptar tempo de injeção e avanço de ignição via sensor de oxigênio (sonda lambda). Como o etanol entrega cerca de 30% menos energia por litro que a gasolina pura, altera a paridade econômica na hora de abastecer.
Por outro lado, há opinião alarmista de que na fiscalização diretamente nos postos a medição do teor de etanol (teste da bureta) e da massa específica (teste do densímetro) possam não detectar fraudes. Necessário que a ANP, já atrasada, atualize as especificações e certamente o fará. Já a medição da octanagem, mais complexa e importante, sempre se conclui em laboratório
e não nos postos.
Transição para E35 consolida o biocombustível como pilar de mobilidade sustentável no Brasil. Todavia, o motorista sentirá a
diferença no bolso e isso precisa ficar claro.
Impressões: híbrido Jaecoo 5 aposta em potência superior
Em meio à acirrada disputa no segmento de SUVs compactos, a Omoda & Jaecoo amplia sua ofensiva no mercado brasileiro
com o lançamento do híbrido compacto pleno Jaecoo 5. Trata-se do quinto modelo da fabricante chinesa, que integra a estratégia de expansão do grupo Chery no País.
Com 4.380 mm de comprimento e entre-eixos de 2.620 mm oferece espaço bem razoável para cinco ocupantes, além de porta- malas de 410 L (kit de reparo no lugar de estepe), mas sem indicar se pelo padrão VDA mais aceito. Aposta em uma lista ampla de equipamentos que inclui teto panorâmico, seis airbags, bancos dianteiros elétricos e ventilados, sistema de som Sony,
câmera com visão de 540 graus, sensor de estacionamento dianteiro e um pacote amplo de recursos de segurança e assistência ao motorista.
Entre os híbridos compactos destaca-se pelos maiores números de potência e torque combinados do mercado: 224 cv e 30,1 kgf·m. Com o tanque de gasolina de 51 litros apresenta alcance em cidade de 791 km e em estrada 699 km. Consumo no padrão Inmetro de 15,5 km/L e 13,7 km/L, respectivamente.

​Na avaliação inicial de São Paulo à Serra do Japi, em trechos urbano e rodoviário, os motores elétrico e a combustãochamaram atenção pelo desempenho e, em destaque, por retomadas surpreendentes que permitem ultrapassagens semdificuldades. O fabricante informa aceleração de 0 a 100 km/h em muito bons 7,9 s.Em razão do desempenho forte, funcionamento suave e a praticidade de não depender de tomada, o Jaecco 5 reúne boas credenciais para disputar espaço entre os SUVs híbridos compactos do mercado brasileiro. São duas versões: Comfort, por R$159.990 e Prestige, por R$ 184.990 (preços pós os promocionais de lançamento).

Teste: Captiva EV Premier destaca espaço interno e estilo Importado inicialmente da China e produzido apenas a partir de kits parcialmente desmontados (SKD) em Horizonte (CE)

desde junho último, o SUV médio elétrico da Chevrolet destaca-se pelo estilo. Desenho frontal ousado, sempre teto preto com abertura elétrica, rodas de 18 pol. chamativas e traseira mais discreta não escondem sua origem. É claramente diferente do padrão da marca no Brasil, herdado em grande parte dos modelos da sua ex-subsidiária alemã Opel. O entre-eixos garante espaço confortável para cinco adultos.

Dimensões (mm): comprimento, 4.745; entre-eixos, 2.800; largura, 1.890 (2.140 com espelhos); altura, 1.670. Volume porta-malas: 403 L; Massa: 1.800 kg. Bateria: 60 kW⋅h. Motor: potência, 201 cv; torque, 31,6 kgf·m. Alcance médio (Inmetro): 304
km. Tração dianteira. Aceleração 0 a 100 km/h: 9,9 s.
O interior identifica-se com o tradicional estilo chinês, a começar pelo volante, que procura inovar, mas parece um pouco estranho. Em compensação materiais de acabamento são de boa qualidade, os bancos dianteiros têm firmeza adequada e a regulagem dos espelhos retrovisores permanece no puxador da porta, sem seguir o modismo de transferi-la para o volante.
Tela multimídia destaca-se pelas 15,6 pol. com ótima resolução, mas o pareamento com telefones celulares é feito por cabo apenas e as duas entradas USB-C exigem certo contorcionismo para alcançá-las; há também carregamento do celular por
indução. Espaço para pernas no banco traseiro muito bom. Volume do porta-malas não se destaca entre os concorrentes, tem estepe temporário, todavia falta uma cobertura para a bagagem. Difícil é acionar o muito útil auto-hold de imobilização e liberação automáticas do freio de estacionamento. Há que procurar na tela multimídia e achar o estranho termo “tração automática do veículo”.
Quanto ao desempenho, mostrou agilidade no trânsito urbano, ao considerar seu porte e massa. Comportamento em curvas
poderia ser um pouco mais firme. Ultrapassagens e retomadas em estradas não são tão entusiasmantes como em outros elétricos do mesmo segmento, contudo o Captiva EV dispõe de bons freios. Alcance está no mínimo aceitável para viagens de
média distância. Preço: R$ 219.990.
Espuma de Matriz Metálica torna os carros mais seguros

Este novo material é fruto de pesquisas avançadas na Universidade Estadual da Carolina do Norte (UECN), nos EUA.
Batizado de Espuma de Matriz Metálica (CMF, em inglês) reduz progressivamente a energia dos impactos entre para-choque e
chassi. Assim, transmite uma carga menos severa ao compartimento de passageiros.
Conforme lembrou muito bem o site brasileiro Inovação Tecnológica, até algumas décadas atrás os para-choques dos automóveis eram de aço de alta resistência. O pensamento vigente era de que a carroceria ficava mais bem protegida. Todavia, a quase total ausência de absorção da energia dos impactos significava que motorista e passageiros acabavam por sofrer ferimentos de alta gravidade e muitas vezes fatais, devido à elevada desaceleração imposta aos seus corpos.
A recente descoberta demonstrou que se trata de um grande avanço em termos de segurança passiva. “A CMF é mais leve que os metais convencionais, sem sacrificar a resistência. Nosso trabalho aqui demonstrou que essa estrutura avançada permite absorver melhor a energia dos impactos de alta velocidade”, relatou a professora Afsaneh Rabiei, da UECN. E completou: "É importante, porque reduz a taxa de desaceleração de um veículo durante uma colisão. E uma desaceleração mais lenta melhora a segurança de todos os ocupantes."
Porém, ainda não há previsão de quando será possível ter este material por um preço compatível ouque não aumente muito os custos de fabricação.90.000,
custando os freios com discos de fibras cerâmicas por volta de R$ 60.000.
Preço: R$ 1.870.000

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